7 minutos de leituraSkills Femininos e o Sucesso Empresarial

skills_femininos_lideranças_mundiais

De Hipátia de Alexandria às Lideranças Femininas Mundiais

Você é do confronto ou da diplomacia? Da direção ou da criatividade? Será que há características de liderança exclusivas de homens e de mulheres?

Experimente digitar Liderança Feminina e Skills Femininos em uma plataforma de pesquisa e observe as notícias relacionadas. Boa parte fala sobre a crescente participação das mulheres em grandes negócios ou, mais recentemente, trazem bons exemplos de Lideranças Femininas frente à crise de COVID-19. Nesse último caso, destacam-se a Primeira Ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardenr, A Primeira Ministra da Finlândia, Sanna Marin e a respeitada líder da Alemanha, Ângela Merkel.

As habilidades humanas que aprendemos a associar ao feminino por muito tempo foram desvalorizadas. Ainda bem que estamos em rápida evolução e, cada vez mais, fica claro que mulheres e homens com competências culturalmente ‘carimbadas’ como femininas são líderes que dão maior resultado às organizações e sociedade. Por isso, mais do que nunca, faz todo sentido aprender com as grandes mentes femininas da história.

HIPÁTIA DE ALEXANDRIA

Você já ouviu falar em Hipátia? Foi ela quem entendeu o movimento elíptico dos planetas em torno do sol. Matemática, filósofa e astrônoma, Hipátia ensinava em uma época que mulheres não podiam sequer ter acesso ao conhecimento. A história dela é retratada no filme espanhol Alexandria (2009). O longa é uma base interessante para entender competências femininas e seu papel em momentos de crise.

 

COMO OS SKILLS DE  HIPÁTIA PODEM INSPIRAR SEU NEGÓCIO?

Falaremos sobre alguns momentos do filme e como as cenas retratadas ilustram os skills femininos de Hipátia e podem inspirar negócios para atingirem o sucesso empresarial.

 

Momentos de Transição – “Mais coisas nos unem do que nos dividem”

O filme se passa em Alexandria, cidade portuária do Egito, e retrata o período de 391 d.C., momento de grande transição da história da civilização ocidental, com a ascensão do cristianismo e o declínio do império politeísta (culto aos Deuses).

Muitas das cenas mostram Ágora, uma praça central de convívio, um espaço de cidadania onde as pessoas se encontravam para momentos de trocas e algumas vezes, de conflitos.

Na cena que nos interessa aqui aparecem Orestes, politeísta, e Anésio, cristão. Ambos alunos de Hipátia, ambos jovens inteligentes. Por terem visões religiosas diferentes, os dois entram em uma discussão e estão preste a entrar em confronto físico quando Hipátia entra em ação.

A intervenção de Hipátia:

“Mais coisas nos unem do que nos dividem” é a frase que leva os dois jovens a se darem conta do erro que estavam prestes a cometer.

Quantas vezes entramos em confrontos desnecessários? Quantos muros levantamos e quantos negócios deixamos de realizar por confronto de ideologias? Diferenças de opinões são naturais, mesmo entre pessoas com valores e propósitos alinhados. Hipátia ensina que focar no que nos conecta é economia existencial e nos permite acessar a dimensão do progresso.

Escuta, empatia, cuidado, amor, construir pontes no lugar de muros – essas e tantas outras habilidades humanas são ensinadas pela protagonista ao longo do filme. Convido você a assistir e mergulhar em si mesma no processo.

 

Importância do Autocuidado e da Contemplação

Uma cena do filme mostra Hipátia tomando banho. Fica claro que, para ela, aquele era um momento de autocuidado e contemplação. Quantas vezes consideramos a rotina do banho apenas como “mais uma tarefa a ser cumprida”?

Você sabia que esse pode ser um momento de pleno autoconhecimento? À medida em que vamos nos cuidando, vamos criando uma relação mais saudável conosco. O corpo é nossa primeira morada e, entre outras dimensões de saúde, nossa primeira dimensão!

Vamos além? O banho pode transcender para um momento de reconexão com a água, elemento fundamental para a manutenção da vida e que compõe mais de 60% do corpo humano, sendo também um dos elementos mais importantes da nossa constituição.

E aqui vale uma reflexão para tempos distanciamento social: como anda a sua relação consigo mesmo? Quão distante ou perto de si você está? Que tal tomar um demorado banho?

 

Rigidez versus Flexibilidade

Hipátia ouve seu pai e os colegas dele comentando sobre casar ou não casar. Seu pai sabe que ela seria muito infeliz se casasse, mas é estimulado a não esquecer “a infeliz condição dela por ser mulher”.

A cultura da época era de que as mulheres não tinham o mesmo valor do que os homens. Infelizmente, por mais brilhante que fosse, Hipátia acreditava naquela condição e com isso, se mantinha presa a um sistema que a menosprezava e a fazia não se conhecer integralmente. Pela cultura da época, Hipátia não aceitou sua feminilidade e ignorou sua real potência.

As mulheres ainda sentem os reflexos do passado, mas estão construindo um novo caminho baseado na importância da multiplicidade, na ampliação do autoconhecimento e no aumento da autoestima.

A ausência de autoconhecimento e de olhar com plenitude para as nossas potências pode gerar um efeito contrário. Liderar começa por saber lidar primeiramente com nossas forças interiores. Não se trata de bloquear instintos, mas de saber domá-los.

A forte conexão de Hipátia com sua missão a fez desconsiderar a lógica do sistema mantendo-a excessivamente rígida e inflexível com relação a algumas questões. Isso causou a sua morte e postergou em 1.200 anos a revelação da existência do movimento elíptico da Terra em torno do Sol, uma de suas descobertas.

O que isso nos ensina? A importância de encontrarmos, em primeiro lugar, a nossa liberdade interna, entre nossas relações e então, dentro de um sistema. Onde estiver nosso ponto de rigidez, aí teremos um tesouro!

Qual o seu ponto de rigidez?

 

Não violência, Amor e Intuição

Hipátia amava o ser humano e não se identificava com nenhum tipo de agressão, destruição ou morte. Demonstra, ao longo do filme, seu amor à obra, ao conhecimento e aos alunos. Avessa à Guerra, tentou impedir que os discípulos saíssem para confrontos pois sabia que culminaria em muita destruição e mortes.

O humano em desequilíbrio vibra pela morte, pela agressão e pela destruição alheia. No fundo, ele está desrespeitando a natureza e trazendo isso ao seu próprio templo interno e à sua própria vida, já que violência gera violência.

 

“É necessário sair da ilha para ver a ilha”  

Antes de encerrar esse artigo, queremos trazer uma reflexão do início do filme. As imagens iniciais mostram um zoom do macro (Espaço) para o micro (Alexandria), nos remetendo ao pensamento de Saramago que diz que: “É necessário sair da ilha para ver a ilha”. (José Saramago – O conto da ilha desconhecida)

Quantas vezes, por não ampliarmos nosso ponto de vista, não conseguimos ampliar nossa percepção em relação ao todo, ao sistema e a suas estruturas de funcionamento, relações e possíveis resultados?

Cine In: arte e autoconhecimento

A Sonata Brasil inova no desenvolvimento de lideranças e empreendedores, trazendo a arte do cinema como ferramenta no processo educacional. Com leveza e profundidade, o programa gratuito Cine In: arte e autoconhecimento proporciona um mergulho em quem somos e na vida. 

As inspirações acima surgiram em uma das sessões do Cine In, quando Natalia Leite e Soraia Schutel, as sócias-fundadoras da Sonata Brasil, interpretaram o filme espanhol Alexandria (2009).

Você é nosso convidado a despertar para o sutil por meio do Cine In: arte e autoconhecimento.

Basta de inscrever gratuitamente clicando aqui.

Ouça o Podcast que fala sobre esse método de ensino clicando aqui (para Spotify) ou aqui (para YouTube).

No Comments

Post A Comment