6 minutos de leituraPor que saí do Whatsapp? Minha visão sobre tecnologia, produtividade e qualidade de vida

2019 foi um ano mega produtivo. Meus negócios cresceram, nunca trabalhei tanto. Ao mesmo tempo, meu corpo, mente e alma sentiram a falta de mais momentos para cuidar de mim no ano que passou.

Prestes a completar 40 anos, sinto o auge da minha energia de realização, mas, ao mesmo tempo, meu corpo tem demandado mais cuidado, tornando-se mais exigente com tudo – da qualidade do que me alimento à qualidade das relações. Quanto maior o nível de entrega, maior a necessidade de cuidado com a própria vida. Trago esse contexto para contar em que momento veio o fato que me tirou do WhatsApp e me trouxe um verdadeiro tesouro que compartilho agora com você. 

“Era um domingo, eu estava finalmente conseguindo descansar em minha deliciosa casa quando recebi uma ligação. Estava super desconectada do que o outro lado falava. Eu só dizia sim pra terminar logo a ligação. Era da Band e estavam me convidando para um evento de final de ano. Detalhe: no ano anterior eu tinha participado do programa Superpoderosas da Band em rede nacional. Ou seja, parecia legítimo o contato. No final, eu só tinha que digitar um código pra confirmar a participação no evento. E assim minha conta foi clonada.”

Por mais de 10 horas minha conta de Whatsapp esteve nas mãos de bandidos. Eles pediam para que meus contatos fizessem um depósito bancário. Vários amigos já sabiam do golpe, me ligaram para alertar e saber se estava tudo bem. Pelo vínculo de confiança e num dia onde reduzimos nosso nível de alerta (domingo), dois amigos fizeram o pagamento. Aprendi que nenhum de nós está imune à insegurança digital. Hoje estamos todos vulneráveis, por mais instruídos que sejamos.

Depois do episódio fui atrás de reforçar minha segurança digital e gostaria de compartilhar algumas dicas simples para minimizar os ataques:

1) Ative a segurança de todos os teus aplicativos de redes sociais (com uma simples busca no Google você encontra o passo a passo de tudo).

2) Cuidado com tudo que você envia no Whatsapp e mensagens das redes. Absolutamente tudo pode ser exposto. Conheço casos de reputações serem destruídas por áudios que foram repassados ao infinito. Antes de postar qualquer coisa ou enviar uma mensagem, foto ou áudio pense duas vezes: se esta mensagem for repassada, o que poderá acontecer? Um exemplo claro é evitar enviar fotos de cartão de crédito por Whatsapp.

3) Triplique o cuidado com as senhas de contas bancárias e cuidado com os golpes relacionados a isso (banco não liga pedindo senha).

4) Em qualquer app gratuito você é o produto. Não existe um 0800 ou serviço de resposta imediata. Nossos dados hoje têm muito valor para máquinas e inteligência artificial.

5) Busque apps de mensagens mais seguros que, por exemplo, podem deletar mensagens instantaneamente, como o Signal (este indicado por Snowden, o hacker dos hackers).

Tirando a parte da segurança digital, ter passado um tempo sem Whatsapp me fez refletir, pois em absolutamente tudo que vivo busco entender os porquês – atitude de filósofa – e fazer dos limões as limonadas.

Me dei conta que este app por um lado facilitava as comunicações, mas, por outro, me roubava o que tenho de mais valioso: tempo, espaço mental e conexões reais.

Ao comunicar que estava sem whatsapp para minha rede as reações foram:

1) “Que sonho!” – sim, muitas pessoas estão cansadas da vida frenética que os apps impõem

2) “E como você se comunica? Sinal de fumaça?” – sim, é possível se comunicar sem Whatsapp 

Após a clonagem estou há 2 meses sem Whatsapp e minha vida melhorou em muitos aspectos:

 1) Redução de ansiedade: minha ansiedade caiu no chão. E não me dava conta. O fato de ter que estar à disposição e ter que responder tudo pra ontem aumenta o nível de ansiedade. Neste modo de operação, não somos mais donos de nossas emoções.

2) Definir prioridade: hoje eu defino o que é prioridade e não as milhares de demandas que recebia por mensagens.

3) Mais tempo para mim e para cultivar meu diferencial: ter tempo para estudar, me inspirar e cuidar da minha mente e emoção são meus diferenciais profissionais. Não ter tempo para isso é reduzir a qualidade nos negócios. E claro, minha vida pessoal ganhou muito. Muito mesmo.

4) Delegação e empoderamento do time: o fato de não estar mais tão acessível a todos empoderou o time e descentralizou a tomadas de decisões que não precisavam mesmo ser feitas por mim. 

5) Mais encontros pessoais: ao invés de enviar mensagens por Whats pra minha valiosa rede, tenho agora o compromisso de, todas as semanas, ligar para pessoas que gosto e são importantes para mim. As ligações são poderosas para fortalecer conexões e os apps são vilões desses vínculos. Sem contar que mensagens escritas perdem todo complemento não verbal da comunicação e isso aumenta as chances de ruídos e grandes problemas de interpretação do que foi dito.

6) Acesso: hoje me acessa quem precisa me acessar. Os apps de comunicação abrem a porteira para tudo e todos, e precisamos nos proteger para qualificar nossa vida e ação. As informações que precisam chegar, chegam. Não ter Whatsapp tem servido como filtro para qualificar as demandas que me alcançam. 

7) Sair de grupo inúteis: desculpem, mas grupos de apps são um inferno. Pronto, falei. A grande maioria é uma enxurrada de informações impossíveis de acompanhar, com dados inúteis, que geram confusão e levam a perder o foco. 

Meu objetivo não é fazer apologia contra a tecnologia. Tenho quatro objetivos com este texto:

1. É mostrar com um exemplo que é possível viver sem Whatsapp;

2. Alertar para o fato de que precisamos de um código de conduta para o uso dos apps de comunicação;

3. Reduzir a ingenuidade coletiva perante os aplicativos “gratuitos”;

4. Ressaltar que os altos índices de ansiedade no Brasil têm, entre suas causas, o excesso de informação e uso de tecnologia.

Deixo aqui uma sugestão de conduta para prevenir dor de cabeça com uso de apps de comunicação:

1) Antes de mandar uma mensagem, pense se é realmente importante enviá-la. Lembre-se você está enchendo o espaço mental de um outro ser humano.

2) Ligue mais ao invés de enviar mensagens. Mensagens devem ter conteúdo curto, pontual e objetivo.

3) Fazer consulta de graça pelo whats não dá! Valorize a si mesmo e ao outro. Contrate e dedique seu tempo aos serviços que são importantes pra você. 

4) Cuide do horário e do dia em que a mensagem está sendo enviada. Respeite a vida do outro ser humano.

5) Jamais enviar informações e dados pessoais que possam de algum modo impactar sua reputação e segurança. Não podemos ser ingênuos.

Talvez um dia volte para outro app de comunicação, mas, no momento, este experimento tem contribuído muito com minha vida pessoal e empreendedora. Nada como a maturidade para selecionar o que realmente importa.

 

2 Comments
  • Joao
    Posted at 15:22h, 06 fevereiro Responder

    Ótima visão!

  • Cristiane Hespanhol
    Posted at 10:55h, 12 fevereiro Responder

    Maravilhoso So!

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