4 minutos de leitura10 impressões sociológicas sobre o maior evento de tecnologia do mundo

Por Soraia Schutel

Cofounder Sonata Leadership Academy

 

Confesso que o mundo tecnológico não é muito minha praia. Sou uma educadora humanista, apaixonada por compreender e estudar o ser humano, e este tem sido o foco da minha missão de vida.

Tive a oportunidade de representar a Sonata Leadership Academy em Lisboa durante o Websummit entre 04 a 07 de novembro, neste que é considerado o maior evento de tecnologia e inovação do mundo. Aquele lugar onde se reúnem todos os geeks do planeta, sabe? É tipo o woodstock da era digital.

E claro, por compreender que este é o presente e o futuro, estiveram presentes chefes de estado, investidores, startups e CEOs de organizações globais, além dos mais de 70 mil participantes dos diversos cantos deste planeta que enchiam os pavilhões da Expo de Lisboa.

Para além das tendências tecnológicas, gostaria de elencar as impressões sociológicas e antropológicas que tive deste que é considerado o maior evento de tecnologia do mundo:

 

  1. Conteúdo. Como uma boa estudiosa que vive em busca constante de conhecimento participei do websummit sobretudo em busca de conteúdo. O que presenciei foram inúmeros auditórios, com conferencistas do mundo todo, que falavam entre 15 a 20 minutos durante os 3 dias de evento. Ou seja, linhas gerais, mas profundidade zero. Este não é o evento para aprofundar, mas para saber dos guidelines internacionais da era digital. Além disso, demonstra um fenômeno desta era: o máximo de conteúdo, no menor tempo possível. Depois cada um aprofunda seus temas de interesse.
  2. Muito ‘o que’ e ‘porque’, mas pouco ‘como’. Comum ouvir nos diversos painéis que participei (em especial voltado às temáticas humanas) que engajamento, propósito e outros temas da moda são importantes, mas pouca novidade sobre o como fazer.
  3. English speakers. Todos os painéis foram em inglês. Se você quiser que sua ideia seja transmitida ao mundo, seja como palestrante ou startup, não adianta, saber se expressar em inglês é ainda fundamental.
  4. Robótica. Era só aparecer um robô que a turma parava em volta para fotografar e filmar. Nos stands e palestras apareciam robôs que viravam as estrelas do evento.
  5. Frenesi. 6 pavilhões gigantes, com centenas de painéis fazem com que todos andem rapidamente. A vontade de estar em tudo e a sensação de estar perdendo oportunidades era comum nos participantes. Infelizmente um mal de nosso século. Quando entendi isso, decidi o que faria a cada dia: o primeiro foquei em palestras, o segundo dia nos stands, o terceiro dia nas startups. Deste modo aproveitei bastante com ansiedade zero.
  6. Chamar atenção. No meio de tanta informação e tanta gente, se destacavam as pessoas e stands mas criativos. Como o stand da EDP, empresa de energia de Portugal, que colocou um ring para pitchs e um unicórnio para fazer selfies. Isso sem falar nas pessoas vestidas de unicórnio ou de terno com logos do super homem.
  7. Networking. Para mim um dos pontos força foi a imensa oportunidade de rede de valor que o websummit proporciona. Lá se encontram os tomadores de decisão, com a possibilidade de se tomar um café com gestores cuja agenda é complexa no Brasil. E sem contar os inúmeros eventos paralelos, principalmente a noite, com ecossistemas de inovação e empresas de TI do Brasil para rever a rede e conhecer gente incrível.
  8. Brasil. É um dos países com maior quantidade de participantes do evento. Quem estiver de algum modo conectado com o universo de tecnologia e inovação é uma oportunidade pra gerar negócios e fortalecer redes.
  9. Sem fronteiras. A revolução digital extingue todas as barreiras geográficas. Por exemplo, conheci um empresário gaúcho de IA contratando mão de obra da Ucrânia e da Índia, tendo em vista o gap de mão de obra na área de tecnologia de nosso país.
  10. A nova ONU. Esta foi a reflexão mais importante para mim. No último dia de evento, ao circular e conversar com startups, pude perceber que este evento representa a atualização da organização das nações unidas (ONU), sem suas estruturas políticas, burocráticas e hierárquicas. Neste evento foi possível ver diversas nações, etnias, gerações convivendo em paz. O objetivo do nascimento da ONU foi garantir a paz mundial. E este evento mostra que o digital, por mais que precise da tecnologia, tem na sua base a humanidade: traz a revolução da paz no convívio pacífico das nacionalidades. Gente que faz, que quer mudar o mundo e impactar positivamente vidas se encontra neste evento. Portanto, o ponto alto não é o evento em si (que tem seus grandes méritos em termos de organização e curadoria), mas a oportunidade de estar imerso entre os transformadores e idealistas globais.

Ou seja, valeu a pena e com muita probabilidade retornarei em outras ocasiões.  Mas tendo em mente que a oportunidade é a pessoa que constrói.

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